terça-feira, 9 de junho de 2026

O que acontece quando a família se ausenta da educação dos filhos


Colaborador Patricia Lages

 Foto: Imagem gerada por IA

Sabemos que a escola tem um papel importante na educação de crianças e adolescentes. Mas existe outro fator que faz muita diferença no aprendizado, no comportamento e até no futuro dos alunos: a participação da família.

Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) indicam que alunos com maior envolvimento familiar apresentam melhor desempenho em leitura, matemática e ciências, independentemente da renda. Na prática, isso significa que crianças acompanhadas de perto pelos pais tendem a aprender mais. Esses resultados aparecem, por exemplo, em análises associadas ao Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), que identificam correlações consistentes entre apoio familiar e desempenho acadêmico.

No Brasil, avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e estudos baseados em dados educacionais nacionais apontam que estudantes cujos responsáveis acompanham a vida escolar, verificando tarefas, participando de reuniões e estabelecendo rotina, costumam ter melhor desempenho, menos atraso escolar e menor risco de abandonar os estudos.

Consequências da falta de participação familiar

Mas esse distanciamento não afeta só as notas. Ele também interfere na formação de hábitos, na disciplina e na forma como a criança enfrenta dificuldades. Pesquisas na área de educação e desenvolvimento infantil indicam que o ambiente familiar exerce influência significativa na construção dessas competências. Crianças que crescem sem esse acompanhamento tendem a encarar o estudo como obrigação, e não como algo importante para o próprio crescimento.

Nesse contexto, o papel do educador, embora essencial, encontra limites claros. O livro Professor Uau!, da neuropsicopedagoga Vilma Farias, reforça que o aprendizado ganha força quando há continuidade fora da sala de aula. A autora destaca que o ensino não se sustenta apenas na atuação do professor e que o ambiente em que o aluno vive pode potencializar ou enfraquecer completamente esse processo.

A obra deixa claro que o engajamento do aluno não depende apenas da aula, mas do quanto o aprendizado é valorizado no cotidiano. “Durante a infância, ocorre o processo de desenvolvimento socioafetivo, período em que as interações familiares proporcionam vivências afetivas importantes à criança. A família exerce não só um papel fundamental no desenvolvimento afetuoso da criança, como também coordena suas aprendizagens por meio desses afetos”, afirma a autora.

Responsabilidades que se complementam

Sobre o papel do professor, o educador e psicanalista Rubem Alves (1933-2014) escreveu: “A missão do professor não é dar respostas prontas. As respostas estão nos livros, na internet. A missão dos professores é provocar a inteligência, é provocar o espanto, a curiosidade”. Ou seja, o professor desperta o interesse, mas esse interesse precisa continuar sendo estimulado em casa. Sem esse apoio, o engajamento tende a diminuir com o tempo.

A participação da família não exige conhecimento técnico ou domínio do conteúdo que os filhos estão estudando, mas sim presença. Acompanhar tarefas, organizar uma rotina, demonstrar interesse e valorizar o estudo já fazem grande diferença.

São esses comportamentos que constroem disciplina, responsabilidade e autonomia ao longo do tempo. Ignorar esse papel significa transferir integralmente à escola uma responsabilidade que não é dela. E quando isso acontece, os resultados da aprendizagem tendem a piorar, principalmente em famílias de classes mais baixas, o que pode contribuir para a ampliação da desigualdade social.
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Jovem arrisca a própria liberdade para ser batizado no Iême

 A vida de Zaid mudou radicalmente após sua conversão

Fonte: Portas Abertas Brasil


Foi só no dia de seu batismo que Zaid viu um cristão pela primeira vez (foto representativa)

Zaid (pseudônimo), um jovem do Iêmen, foi agredido e expulso da casa de seus pais após se converter ao cristianismo. Ele cresceu em um lar muçulmano conservador. As orações diárias eram um dever. Zaid tinha 16 anos quando suas dúvidas sobre a fé começaram.

Ele percebeu que não tinha garantias de uma boa vida após a morte, e esse pensamento o assombrava. Mesmo assim, Zaid se tornou ateu. O jovem sabia que a verdade estava em algum lugar, e ele queria e precisava encontrá-la. “Eu estava usando redes sociais para pesquisar e debater”, ele diz.

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Após seis meses de pesquisas e debates online, o vazio aumentava. “Eu me sentia sozinho. Não havia ninguém com quem eu pudesse conversar, ninguém para compartilhar meus desafios.” Zaid não podia contar à família sobre seus pensamentos sobre a fé.

A conversão de Zaid

“Eu lia sobre o cristianismo para aprender como vencer debates contra os cristãos. No entanto, quando eu percebia que não conseguia vencer, eu os amaldiçoava para ver a reação deles. O que me atraía neles era o amor. Eles demonstravam amor e nunca me amaldiçoavam de volta”, lembra o jovem.

“Lentamente, comecei a ouvir para entender, e não para debater. A ideia de que Deus nos ama, de que ele nos criou à sua imagem e de que enviou seu filho para morrer por nós eram pensamentos e verdades completamente novos para mim.”

Zaid queria muito aprender mais sobre Jesus e começou a ler a Bíblia em um aplicativo. “Por um ano e meio, percorri uma jornada de discipulado e cresci na fé em Jesus”, conta o jovem.

Um batismo arriscado

Enquanto era discipulado, Zaid decidiu que queria ser batizado. “Alaa, o cristão que me discipulava online, disse que organizaria tudo. Ele enviaria um irmão que morava perto de onde eu estava e ele poderia me batizar se eu estivesse certo sobre minha decisão. Claro que eu estava! Eu queria obedecer!”

O batismo de Zaid foi arriscado. Se ele ou o homem que o encontrou fossem pegos, poderiam ser presos ou até mortos. Mas Zaid sabia que seu compromisso com Jesus era maior do que qualquer perigo.

“Eu encontrei o homem em uma rua. Apertei sua mão, e caminhamos juntos até uma piscina pública. Era um dia movimentado e a piscina estava cheia de gente. Descemos as escadas até um canto da piscina. O homem me fez duas perguntas simples sobre minha fé, depois me batizou, mergulhando e tirando da água, e fomos embora imediatamente. Não o vi depois disso. Aquela foi a primeira vez que conheci um cristão pessoalmente no Iêmen.”

Depois daquele dia, Zaid continuou seu estudo das Escrituras, apoiando-se no Espírito Santo para guiá-lo e amadurecer sua fé. “Infelizmente, uma realidade comum entre os jovens no meu país é que, quando encontram Cristo, decidem deixar o Iêmen para viver sua fé livremente. Eu os entendo! No entanto, eu não quis e não quero isso. Quero ficar e servir ao meu povo.”


Com a ajuda de parceiros locais da Portas Abertas, Zaid está iniciando uma casa de discipulado local onde novos cristãos podem se reunir, viver juntos e ser discipulados dia após dia. Sua visão é oferecer um lugar seguro com estudos bíblicos diários para capacitar cristãos a liderar igrejas domésticas em todo o país.

“Honestamente, como uma pessoa comum, eu tenho medo, sim. Mas se não corrermos riscos, não conseguiremos alcançar nossas comunidades. Até os discípulos arriscaram muito; enfrentaram perseguição, foram mortos, espancados e vigiados, mas por causa de seus sacrifícios, a palavra de Deus chegou até nós. Um dia, a polícia pode me levar, ou alguém pode me matar, mas Deus estará comigo”, diz Zaid.

Sua doação permite que a Portas Abertas ajude muitos outros cristãos perseguidos como Zaid. Com sua ajuda, nós oferecemos ajuda emergencial àqueles que mais precisam. Contribua e seja resposta de oração!



A Redação Portas Abertas Brasil é a equipe editorial com mais de 40 anos de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco de segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.