terça-feira, 23 de junho de 2026

Até quando você vai sustentar uma vida de aparências?

Andrea Silva não conseguiu esconder por muito tempo o que havia por trás de seus sorrisos. Será que você também tem camuflado o que sente?


Você já exibiu momentos tentando transmitir alegria, mesmo estando destruído por dentro? Já mostrou uma versão de si mesmo que, na realidade, estava longe do que vivia quando ninguém estava olhando?

Hoje, muitas pessoas transformaram a própria dor em uma aparência cuidadosamente editada, numa tentativa de esconder o vazio, o sofrimento e as feridas que ninguém vê. Sorriem para as fotos, demonstram força, sucesso e felicidade, mas, longe dos olhares, travam guerras silenciosas dentro de si. Vivem representando um personagem, sustentando uma mentira para esconder aquilo que realmente sentem.

As redes sociais potencializaram essa realidade. Filtros, recortes e versões editadas fazem parecer que tudo está bem. É como admirar um produto perfeito na vitrine e descobrir, depois, que ele não era nada daquilo que aparentava ser.

Mas existe uma verdade impossível de ser maquiada: quem convive de perto conhece quem você realmente é e o que você precisa. E existe Alguém que vai ainda mais além: conhece até os pensamentos e sentimentos que você tenta esconder. É o único capaz de oferecer alegria verdadeira e permanente: o Senhor Jesus.

Durante anos, Andrea Silva, assistente de educação, de 40 anos, viveu por trás de sorrisos vazios; uma atuação constante para esconder as feridas invisíveis de uma vida muito diferente da aparência que retratava. Até que uma revelação surpreendente a confrontou. Confira.

Rejeitada antes de nascer


Quando minha mãe engravidou de mim, morava na casa de uma tia. Era sua segunda gestação, mas a notícia não foi bem recebida por parte da família. Mesmo pressionada a abortar, ela decidiu seguir com a gravidez.

Após meu nascimento, fomos morar com a minha avó paterna. Algum tempo depois, meus pais se separaram. Minha irmã ficou sob os cuidados da família do meu pai, que faleceu poucos anos mais tarde.

Pureza roubada


Cresci apenas com a companhia da minha mãe. Eu era uma criança comum até os 6 anos, quando um amigo muito próximo da família abusou sexualmente de mim. Depois, o abuso se repetiu outras vezes, inclusive por parte de outros homens do meu convívio.

Na mesma época, minha mãe iniciou um relacionamento conturbado e procurou auxílio espiritual. Foi então que comecei a sofrer ataques espirituais. Sempre ao cair da noite, ouvia vozes, sinos e frases perturbadoras, como se espíritos gritassem nos meus ouvidos. Certa vez, inclusive, incorporei um espírito.

Por dentro, uma amargura


Um tempo depois, tentei tirar a própria vida. Depois, deixei de apenas ouvir vozes e passei a conversar com espíritos. As conversas giravam em torno do ódio que eu sentia das pessoas que haviam abusado de mim e do meu pai.

Ainda criança, me tornei amarga. Foi nessa época que comecei a envenenar os animais da minha avó, durante as férias que passava lá, apenas para vê-los morrer.

Aparência enganosa


Com cerca de 15 anos, após uma discussão com a minha mãe, decidi sair de casa. Como eu já trabalhava, achei que conseguiria me sustentar. A aparência era de forte e independente.

Abandonei a escola, comecei a frequentar festas e, durante um período, me prostituí para ganhar mais dinheiro. Nessa época, engravidei e interrompi a gestação.

Uma vida de mentiras


Aparentemente, eu não tinha mais nada a perder. Mas, depois, sozinha, sentia o vazio, a vergonha e a dor.

Tudo o que eu carregava desde a infância se tornava ainda mais pesado, até que aquela vida passou a me causar nojo. Eu me sentia um lixo. Foi aí que decidi que não queria mais viver daquela forma. Vivi três anos entre festas e uma alegria que não era real.

Então, conheci um rapaz. No início, tínhamos apenas encontros casuais, mas engravidei e decidimos morar juntos. Na mesma época, fui demitida do trabalho, o que aumentou ainda mais a minha frustração.

Esse vazio não aceita substitutos

Quantas vezes você já tentou fugir do que sente, se ocupando com qualquer coisa para aliviar a dor? Há quem, dominado por feridas internas, acaba machucando outras pessoas apenas para tentar satisfazer um ego ferido.

Você tenta preencher esse vazio com distrações: compromissos, festas, bebidas… Mas nada resolve. Porque, no fundo, esse espaço nunca foi feito para coisas ou para pessoas.

Esse vazio tem um formato exato: o do Espírito de Deus. E somente Ele pode preencher você por completo, de verdade.

Sentimentos conflitantes


Minha filha nasceu e vivi uma mistura de amor e ódio. Eu a amava, mas não tinha paciência para lidar com o choro nem sabia atender às suas necessidades. Muitas vezes a tratei mal.

Por mais que quisesse, não conseguia mudar. Eu brigava constantemente com o pai dela por ciúme e motivos insignificantes. Certa vez, peguei uma faca para matá-lo enquanto dormia, mas ele passou a noite acordado e não levei a ideia adiante.

Por fora, uma. Por dentro, outra


Quando minha filha tinha 5 anos, comecei a trabalhar com o avô dela e nos envolvemos. Foi como uma bomba na família, mas continuamos juntos, porque eu só pensava em mim.

Apesar da postura firme que exibia, eu estava emocionalmente destruída. Então, depois que nos mudamos para outra cidade, comecei a frequentar uma igreja. Entendi o significado do batismo nas águas e decidi me casar para iniciar uma vida com Deus. Em menos de 30 dias, já estava casada com o avô da minha filha. Porém, os dirigentes daquela igreja não aprovaram meu batismo por eu estar vivendo uma união com um parente.

Tentando camuflar a dor


Ao chegar em casa, falei com Deus: “Se nem o Senhor me quer, vou acabar com a minha vida, e levar muitas pessoas comigo”. Mandei meu então marido embora. Pouco depois, também mandei minha filha morar com o pai. Eu queria viver apenas o que me trouxesse prazer. Passei a sair todos os dias, bebia muito e comecei a usar maconha, lança-perfume e narguilé com outras drogas. Fazia festas em casa; muitos jovens iam, e os vizinhos reclamavam da bagunça. Eu me envolvia em relacionamentos, mas, por dentro, estava desmoronando.

Fundo do poço


Depois das festas, eu e alguns conhecidos íamos para lugares onde aconteciam até homicídios. Em uma noite, eu estava alterada pelas drogas quando a polícia chegou. Fiquei horas aguardando para ser revistada e, enquanto esperava, vi minha sobrinha, de apenas 13 anos, vivendo aquela situação, porque eu a levava comigo. Aquilo me abalou. Naquele dia, eu havia participado de uma orgia. No banho, por mais que esfregasse o corpo, sentia que a sujeira não saía. Então falei com Deus que, se Ele me enviasse alguém para eu me relacionar, eu seria fiel à essa pessoa. Alguns dias depois, comecei a namorar. Cumpri o que prometi, mas não estava feliz. Por dentro, o vazio continuava.

Versão editada


Eu não me alimentava direito e desenvolvi anorexia. Vivia deprimida. Diante das pessoas, fingia estar bem, mas, quando estava sozinha, chorava e desejava morrer. Postava fotos produzidas para dar a impressão de que estava indo para festas, quando, na verdade, me trancava no quarto para chorar. Nem dormir eu conseguia, pois não tinha paz. Até algumas roupas que usava eram emprestadas. Eu não era nem vivia aquilo que mostrava nas redes sociais. Certo dia, enquanto atravessava uma passarela a caminho do trabalho, ouvi uma voz mandando que eu me jogasse. Quando estava prestes a ceder, ouvi outra voz, suave, dizendo que Deus poderia mudar a minha vida. Então, segui em frente.

O despertar em meio ao caos


Na Bíblia, lemos que Deus usou o profeta Joel para alertar Israel sobre uma grande devastação; um reflexo de que o povo estava distante d’Ele e precisava se arrepender (Joel 1–2). E esse chamado continua ecoando ainda hoje: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração…” (Joel 2:12).

Andrea ouviu esse chamado por meio de uma mensagem e passou a enxergar quem realmente era. O Espírito da Verdade a despertou. Assim como aquele povo teve a oportunidade de recomeçar, você também tem. Basta se arrepender, abrir mão da própria vontade e priorizar a de Deus.

Nova vida


Em seguida, participei do Jejum de Daniel. Entendi que precisava deixar as redes sociais com o desejo sincero de conhecer a Deus. Logo veio a Fogueira Santa. Mesmo precisando de muitas coisas, decidi priorizar o Espírito Santo.

Depois de cumprir meu voto no Altar, durante uma oração no trabalho, O recebi. Então ouvi uma mensagem dizendo que o batismo com o Espírito Santo não é sentimento, mas certeza. Então, eu cri.

Hoje posso dizer que, quem me conhecia não me reconhece. Fui curada, me reergui financeiramente, aprendi a cuidar da minha filha e agora vivemos juntas. Além da verdadeira alegria que encontrei, tenho prazer em ajudar quem, assim como eu um dia, acredita não haver saída para os seus problemas.

A Verdade que liberta


Naquele domingo, recebi uma paz profunda. O meu desejo de mudar era tão grande que eu passei a frequentar a igreja todos os dias, de manhã, à tarde e à noite. Eu me sentia acolhida. Tenho um 1,80m de altura e usava as roupas da minha filha de 9 anos, mas, ainda assim, não fui julgada. Me batizei nas águas, abandonei tudo o que fazia de errado e passei a buscar o Espírito Santo.

Oportunidade de recomeçar


Naquele momento, a ficha caiu. Eu estava cheia de dívidas e ostentava uma vida que não correspondia à realidade. Tinha uma filha, mas não assumia meu papel como mãe. Percebi que tudo em mim era uma mentira, até a minha aparência.

Dois dias depois, passei novamente no local. Uma evangelista falou comigo e me chamou para ir à igreja no domingo. Na noite anterior ao culto, enfrentei uma verdadeira batalha: vozes diziam que eu não deveria ir e ameaçavam a mim e à minha filha de morte. Mesmo assim, decidi ir e disse a Deus que, se Ele não mudasse a minha vida, eu mesma daria fim a ela.

A verdade veio à tona


Alguns dias depois, no trabalho, um pensamento repentino tomou conta de mim: eu não queria estar ali. Peguei minhas coisas e fui embora. No caminho, atravessei a mesma passarela e vi algumas pessoas da Igreja Universal evangelizando. Ao passar por elas, recebi a Folha Universal.

Dentro do ônibus, pensei em jogar o jornal fora, mas resolvi abri-lo. Logo vi a mensagem do Bispo Macedo com o versículo: “Mas, quando vier aquele, o Espírito da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade…” (João 16:13). Foi como se Deus estivesse me mostrando a vida de mentiras que eu levava. Durante o trajeto, fiquei debatendo com aquelas palavras, sentindo-me confrontada pela minha real condição.
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Colaborador
Thayná Andrade / Arte sobre foto: Cedida, arquivo pessoal e getty images

Como o TikTok se tornou "a rede social dos depressivos"

FOLHA UNIVERSAL 21/06/2026


O TikTok tem sido considerado por alguns como “a rede social dos depressivos”. Isso porque a plataforma foi tomada por postagens sobre questões de saúde mental, desde relatos pessoais até dicas de profissionais de saúde.

Estudos recentes mostram uma associação consistente entre uso intenso de redes sociais e o aumento de sintomas como ansiedade, tristeza persistente e distúrbios do sono, especialmente entre jovens.

Estudos em neuroimagem e comportamento digital, incluindo pesquisas publicadas em revistas como NeuroImage e trabalhos apresentados em conferências como a International AAAI Conference on Web and Social Media, sugerem que vídeos curtos e algoritmos personalizados podem ativar sistemas de recompensa do cérebro associados à dopamina, favorecendo padrões de uso repetitivo e criando ciclos de reforço semelhantes aos observados em jogos digitais.

Embora não seja possível afirmar que existe uma relação de causa direta, há evidências de que plataformas como essa se tornaram um ambiente que pode intensificar estados emocionais já existentes.

Parte dessa dinâmica está no funcionamento desses algoritmos personalizados. A plataforma aprende rapidamente o que prende a atenção do usuário e passa a oferecer mais do mesmo. Isso inclui conteúdos emocionais, relatos pessoais e vídeos sobre sofrimento psicológico.

Relatórios de organizações como a Amnesty International apontam que usuários mais vulneráveis podem ser expostos de forma recorrente a conteúdos relacionados à depressão e até à automutilação, criando um ciclo de reforço difícil de interromper.

Cuidado com a desinformação

Outro ponto crítico está na qualidade da informação. Levantamentos divulgados por veículos como o jornal britânico The Guardian indicam que uma parcela significativa dos conteúdos sobre saúde mental nas redes sociais contém imprecisões ou simplificações excessivas.

Isso contribui para a banalização de termos clínicos, incentiva o autodiagnóstico e pode levar a interpretações equivocadas sobre condições que exigem avaliação profissional.

Isso não significa que a plataforma, por si só, seja necessariamente prejudicial. Há evidências de que redes sociais também podem oferecer suporte, informação e senso de pertencimento. Porém, o ponto de atenção está no padrão de uso. Quando o consumo é passivo, excessivo e guiado apenas pelo algoritmo, os riscos aumentam.

É preciso lembrar sempre que, em um ambiente desenhado para maximizar tempo de permanência, a responsabilidade final continua sendo do usuário. É ele quem deve escolher o que consumir, quando parar e, principalmente, reconhecer quando o conteúdo deixa de informar e passa a influenciar negativamente o próprio estado emocional.

Se essa é uma tarefa difícil para adultos, é ainda mais desafiadora para crianças e jovens. A observação do comportamento de menores de idade e o acompanhamento dos pais e responsáveis no uso das redes sociais são fundamentais.

Questões de saúde mental não devem ser encaradas como estados passageiros ou problemas pontuais de uma geração específica. A busca por alívio e empatia nas redes sociais pode ser um grito silencioso de pessoas em sofrimento real, um chamado urgente de quem tenta lidar com as próprias emoções e precisa ser ouvido com atenção e responsabilidade.

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 Colaborador
 Patricia Lages / Foto: D-Keine/getty images

Cristã perde familiares em ataque a igreja na Síria

Quando o pai de Jenny foi atingido por um ataque a bomba em junho de 2025, a jovem se apegou à fé e à esperança em Cristo


Jenny se emociona ao lembrar do exemplo de fé de seu pai

Jenny (pseudônimo), uma cristã que vive em Damasco, na Síria, recebeu a visita de uma amiga em sua casa. Por isso, ela não foi à igreja naquele domingo, 22 de junho de 2025. Então, por volta das 18h30, as jovens ouviram o som de tiros seguido de uma explosão.

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Logo veio uma ligação: “A pessoa nos disse que um homem-bomba detonou a si mesmo dentro da igreja que minha família frequentava, e que todos lá dentro morreram”. Jenny sabia que seu pai estava na igreja, e ela também estaria se não fosse pela visita de sua amiga.

A cristã ficou abalada com a notícia. “A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi que eu precisava encontrar meu pai de qualquer maneira possível. Comecei a ligar para meu pai em seus dois números. Um telefone estava desligado, o outro continuava chamando. Então, depois de tentar três vezes, alguém atendeu. O homem do outro lado disse que encontrou o telefone no chão e não sabia se o dono estava vivo ou morto”, conta Jenny.

Junto de sua irmã, Jenny foi até a igreja, mas ambas foram barradas pelas forças de segurança, que temiam mais explosões. Um dos parentes das jovens disse que viu seu pai saindo da igreja. “Eu senti que meu parente estava escondendo algo. Ele não olhava diretamente nos meus olhos. Disse que meu pai ainda estava vivo e que a ambulância o levou.”

A notícia que mudou tudo

Jenny e sua irmã descobriram que seu pai foi levado para o hospital em um táxi, não em uma ambulância. Elas também souberam que ele havia sido gravemente ferido na explosão e precisava de atendimento médico urgente. Chegando ao hospital, uma enfermeira disse para as irmãs que seu pai estava em condição estável, mas que seu abdômen estava aberto e que a cirurgia poderia levar horas.

Enquanto isso, um amigo da família e uma das tias de Jenny, que também estavam no culto, foram declarados mortos no mesmo hospital. Infelizmente, depois de pouco tempo, Jenny recebeu a notícia de que seu pai havia falecido.

Após o ataque, Jenny se apoiou em sua fé. “Nos primeiros dias, eu estava em choque. Depois de voltar do hospital e no dia seguinte, eu não conseguia falar ou chorar. Eu amo o tipo de relacionamento que tenho com Deus. Eu estava confiante de que as pessoas mortas foram salvas por Cristo, incluindo meu pai. Eu acredito que ele está com Jesus, com certeza.”

“Por quê?”

Jenny ainda não sabe por que o agressor atacou naquela noite. “Algumas pessoas podem dizer que o agrediriam ou até o matariam se o encontrassem. Eu não faria isso. Eu apenas perguntaria a ele: ‘Por quê? Eu sou apenas uma pessoa orando na igreja. Eu não estou lutando contra você nem lhe fazendo mal.’”

Jenny é uma das cristãs sírias que participaram de sessões de aconselhamento pós-trauma ministradas por um parceiro da Portas Abertas. Ela usou seu treinamento para lidar não apenas com o próprio luto, mas também com o de outros. Recentemente, a cristã se voluntariou para atuar como conselheira no projeto. Os conselheiros apoiam crianças e mulheres afetadas pelo bombardeio e pela violência na região.

“É importante para mim ajudar as pessoas que passaram pela mesma experiência que eu. É meu dever estar ao lado delas e apoiá-las, assim como eu recebi apoio em algum momento do caminho”, conta Jenny

O Domingo da Igreja Perseguida (DIP) é o maior movimento brasileiro de oração pelos cristãos perseguidos. Neste ano, no dia 31 de maio, milhares de igrejas brasileiras se unirão em um clamor por nossos irmãos e irmãs no Oriente Médio e Norte da África. Inscreva sua igreja gratuitamente e baixe os materiais de organização.


A Redação Portas Abertas Brasil é a equipe editorial com mais de 40 anos de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco de segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.

terça-feira, 16 de junho de 2026

A pressa está roubando a sua vida espiritual

Em uma rotina cada vez mais acelerada, muitos cristãos têm dificuldade de desacelerar a mente, silenciar o coração e manter uma comunhão verdadeira com Deus


Vivemos na era da velocidade. Tudo acontece rápido: as mensagens chegam sem parar, os compromissos se acumulam, o celular vibra o tempo todo e a sensação é de que nunca há tempo suficiente para tudo. Muita gente acorda já cansada, passa o dia resolvendo problemas e termina a noite com a mente acelerada.

O problema é que, em meio a tanta correria, a vida espiritual também pode acabar sendo afetada sem que a pessoa perceba.

Há quem trabalhe muito, cuide da família, cumpra responsabilidades, frequente a igreja e até acompanhe conteúdos cristãos diariamente, mas, ainda assim, carregue dentro de si um vazio difícil de explicar. Isso porque ir à igreja ou ouvir mensagens de fé todos os dias não significa, necessariamente, estar bem espiritualmente.

Quando a correria domina a rotina, a fé pode se tornar apenas um hábito automático.

Quando até a oração vira mecânica

Muitos já perceberam que oram enquanto pensam em outras coisas. Leem a Bíblia rapidamente apenas para cumprir um hábito. Assistem a uma reunião ou mensagem mexendo no celular ao mesmo tempo. Fazem tudo correndo, até buscar a Deus.

Então a comunhão vai ficando superficial. Não porque a pessoa deixou de crer, mas porque perdeu a capacidade de parar. E quem nunca para dificilmente consegue ouvir a voz de Deus.

O excesso de estímulos da vida moderna deixa a mente cansada e distraída. Redes sociais, notificações, preocupações financeiras, cobranças profissionais e ansiedade emocional competem pela atenção o tempo inteiro. O silêncio virou algo raro, e, para muitos, desconfortável.

Mas é justamente no silêncio que conseguimos ouvir a voz de Deus. A Bíblia mostra isso quando diz: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus” (Salmos 46:10). Aquietar-se não significa abandonar responsabilidades, mas aprender a desacelerar interiormente para priorizar aquilo que realmente importa.

Marta e Maria

Uma das passagens bíblicas que mais retratam essa realidade é a história de Marta e Maria. Enquanto Marta estava inquieta e preocupada com muitos afazeres, Maria escolheu permanecer aos pés de Jesus, ouvindo-O. Marta trabalhava. Maria priorizava a presença. No fim, Jesus afirmou: “Maria escolheu a boa parte” (Lucas 10:42).

Hoje, muitos vivem como Marta: sempre ocupados, sempre correndo, sempre cansados. Fazem muito, resolvem muito, produzem muito, mas têm pouco tempo de qualidade com Deus. E isso traz consequências devastadoras para a vida espiritual.

A alma dá sinais quando está distante de Deus

Quando a vida espiritual começa a enfraquecer, nem sempre a pessoa percebe imediatamente. Os sinais aparecem aos poucos:Irritação constante

    *Ansiedade excessiva
    *Falta de paz
    *Vazio interior
    *Desânimo espiritual
    *Dificuldade de concentração na oração

Frieza na fé

Muitas vezes, o problema não é falta de fé, mas excesso de distração. A mente fica tão sobrecarregada que o coração perde a sensibilidade espiritual.

Por isso, Jesus alertou: “Buscai primeiro o Reino de Deus…” (Mateus 6:33). Buscar primeiro o Reino significa reorganizar prioridades. Significa entender que a alma também precisa de cuidado.

Desacelerar também é um ato de fé

Separar alguns minutos do dia para orar sem interrupções, reduzir o excesso de telas, meditar mais na Palavra de Deus e aprender a ficar em silêncio diante de d’Ele são atitudes simples, mas que fortalecem a comunhão.

O ser humano foi criado para produzir, trabalhar e lutar, mas, principalmente, para ter relacionamento com Deus.

Quem vive acelerado o tempo todo pode até conquistar muitas coisas nesta vida, mas corre o risco de se distanciar de Deus sem perceber, mesmo estando dentro da igreja. E quando a comunhão com Deus esfria, a fé enfraquece, a alma adoece e a salvação fica comprometida.

Por isso, mais do que desacelerar o corpo, é preciso desacelerar a alma e voltar a colocar Deus no centro da vida.

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Colaborador

Redação / Foto: Mariia Vitkovska/getty images

Deborah ajuda viúvas a recomeçar em Camarões

Em Camarões, a violência causada pela perseguição torna urgente apoiar viúvas cristãs locais


Grupo de apoio de apoio de Deborah a viúvas cristãs vítimas da violência em Camarões

Há anos, as histórias de vítimas de ataques violentos por grupos extremistas se repetem por toda a África Subsaariana.

A campanha global Desperta África da Portas Abertas foi mobilizada para responder a essa realidade, promovendo o fim da violência e o início da cura para nossos irmãos africanos.

O apoio em oração e acolhimento com mensagens de encorajamento são transformadores em contextos como o de Camarões, onde os ataques são tão frequentes que os relatos de viúvas locais parecem contar a mesma história de violência.


O desafio de prover sozinha

Para essas mulheres, perder o marido não significa apenas perder um ente querido. Além do luto, enfrentam a responsabilidade de sustentar a família sozinhas, muitas vezes, sem acesso a oportunidades ou rede de apoio.

De repente, todo o peso da responsabilidade de criar os filhos recai sobre seus ombros: alimentação, roupas, mensalidades escolares e remédios.

“Não é fácil porque não há marido para prover. As mulheres precisam trabalhar e depois voltar para casa para preparar algo para comer”, explica Deborah, que hoje lidera um grupo de ajuda mútua de viúvas em Camarões.

“Será que Deus está aqui?”

Deborah conhece a realidade das viúvas em Camarões por experiência própria. Seu marido também foi morto em um ataque do Boko Haram.

Durante três meses, ela e os filhos dormiram ao relento até conseguirem escapar para onde vivem hoje.

“Eu estava exausta. Perguntava a mim mesma: ‘Será que Deus está aqui? Ele se esqueceu de mim?’”, recorda a cristã.

Como Deborah encontrou cura e passou a ajudar outras mulheres?

Por meio do apoio proporcionado pela igreja local e pelos parceiros da Portas Abertas, Deborah começou um processo de cura. Ao encontrar acolhimento e encorajamento, ela não apenas superou a dor, mas também descobriu uma nova missão.

Hoje, Deborah lidera um grupo de ajuda mútua para outras viúvas. Sua experiência pessoal a capacita a compreender as dores dessas mulheres e a oferecer apoio prático e espiritual. Ela testemunha que, apesar das dificuldades, é possível reconstruir a vida.

    “Se alguém está em dificuldade em nosso grupo, fazemos uma coleta de contribuições 
     para ajudá-la. Ela trabalha com o que recebeu e, depois, devolve para nós com pequenos      juros, para que outra pessoa também possa usar”, explica Deborah.

A história de Deborah revela que, mesmo depois das perdas mais profundas, Deus continua presente e ativo. Ele cura feridas, restaura identidades e levanta pessoas para abençoar outras.

Ao receber suporte, uma mulher é fortalecida – e esse fortalecimento se multiplica.

A resposta a um chamado bíblico

Cuidar das viúvas não é apenas um gesto de compaixão. É uma ordem clara das Escrituras. Em Tiago 1.27, lemos:

“A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades”.

Esse princípio ganha ainda mais significado ao considerarmos a realidade da Igreja Perseguida.

Sob essas circunstâncias, o cuidado com as viúvas é uma missão urgente e prática. Ao respondermos a esse chamado, participamos da obra de restauração que Deus já está realizando em nossas irmãs na fé como Deborah em Camarões. Leve cura para viúvas em Camarões e ajuda emergencial para cristãos africanos.


Perguntas frequentes

Quem são as viúvas da Igreja Perseguida?

São mulheres cristãs que perderam seus maridos devido a perseguição, violência ou conflitos relacionados à fé.

Como a Portas Abertas apoia essas mulheres?

A organização atua oferecendo ajuda emergencial, apoio emocional, discipulado e iniciativas de geração de renda.

Por que a África precisa de atenção especial?

Diversos países africanos estão entre os mais impactados pela perseguição cristã, com altos índices de violência contra comunidades de fé.

Como posso ajudar as viúvas da Igreja Perseguida?

Você pode ajudar orando, participando de campanhas como Desperta África e apoiando os projetos da Portas Abertas.


A Redação Portas Abertas Brasil é a equipe editorial com mais de 40 anos de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco de segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.

terça-feira, 9 de junho de 2026

O que acontece quando a família se ausenta da educação dos filhos


Colaborador Patricia Lages

 Foto: Imagem gerada por IA

Sabemos que a escola tem um papel importante na educação de crianças e adolescentes. Mas existe outro fator que faz muita diferença no aprendizado, no comportamento e até no futuro dos alunos: a participação da família.

Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) indicam que alunos com maior envolvimento familiar apresentam melhor desempenho em leitura, matemática e ciências, independentemente da renda. Na prática, isso significa que crianças acompanhadas de perto pelos pais tendem a aprender mais. Esses resultados aparecem, por exemplo, em análises associadas ao Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), que identificam correlações consistentes entre apoio familiar e desempenho acadêmico.

No Brasil, avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e estudos baseados em dados educacionais nacionais apontam que estudantes cujos responsáveis acompanham a vida escolar, verificando tarefas, participando de reuniões e estabelecendo rotina, costumam ter melhor desempenho, menos atraso escolar e menor risco de abandonar os estudos.

Consequências da falta de participação familiar

Mas esse distanciamento não afeta só as notas. Ele também interfere na formação de hábitos, na disciplina e na forma como a criança enfrenta dificuldades. Pesquisas na área de educação e desenvolvimento infantil indicam que o ambiente familiar exerce influência significativa na construção dessas competências. Crianças que crescem sem esse acompanhamento tendem a encarar o estudo como obrigação, e não como algo importante para o próprio crescimento.

Nesse contexto, o papel do educador, embora essencial, encontra limites claros. O livro Professor Uau!, da neuropsicopedagoga Vilma Farias, reforça que o aprendizado ganha força quando há continuidade fora da sala de aula. A autora destaca que o ensino não se sustenta apenas na atuação do professor e que o ambiente em que o aluno vive pode potencializar ou enfraquecer completamente esse processo.

A obra deixa claro que o engajamento do aluno não depende apenas da aula, mas do quanto o aprendizado é valorizado no cotidiano. “Durante a infância, ocorre o processo de desenvolvimento socioafetivo, período em que as interações familiares proporcionam vivências afetivas importantes à criança. A família exerce não só um papel fundamental no desenvolvimento afetuoso da criança, como também coordena suas aprendizagens por meio desses afetos”, afirma a autora.

Responsabilidades que se complementam

Sobre o papel do professor, o educador e psicanalista Rubem Alves (1933-2014) escreveu: “A missão do professor não é dar respostas prontas. As respostas estão nos livros, na internet. A missão dos professores é provocar a inteligência, é provocar o espanto, a curiosidade”. Ou seja, o professor desperta o interesse, mas esse interesse precisa continuar sendo estimulado em casa. Sem esse apoio, o engajamento tende a diminuir com o tempo.

A participação da família não exige conhecimento técnico ou domínio do conteúdo que os filhos estão estudando, mas sim presença. Acompanhar tarefas, organizar uma rotina, demonstrar interesse e valorizar o estudo já fazem grande diferença.

São esses comportamentos que constroem disciplina, responsabilidade e autonomia ao longo do tempo. Ignorar esse papel significa transferir integralmente à escola uma responsabilidade que não é dela. E quando isso acontece, os resultados da aprendizagem tendem a piorar, principalmente em famílias de classes mais baixas, o que pode contribuir para a ampliação da desigualdade social.
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Jovem arrisca a própria liberdade para ser batizado no Iême

 A vida de Zaid mudou radicalmente após sua conversão

Fonte: Portas Abertas Brasil


Foi só no dia de seu batismo que Zaid viu um cristão pela primeira vez (foto representativa)

Zaid (pseudônimo), um jovem do Iêmen, foi agredido e expulso da casa de seus pais após se converter ao cristianismo. Ele cresceu em um lar muçulmano conservador. As orações diárias eram um dever. Zaid tinha 16 anos quando suas dúvidas sobre a fé começaram.

Ele percebeu que não tinha garantias de uma boa vida após a morte, e esse pensamento o assombrava. Mesmo assim, Zaid se tornou ateu. O jovem sabia que a verdade estava em algum lugar, e ele queria e precisava encontrá-la. “Eu estava usando redes sociais para pesquisar e debater”, ele diz.

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Após seis meses de pesquisas e debates online, o vazio aumentava. “Eu me sentia sozinho. Não havia ninguém com quem eu pudesse conversar, ninguém para compartilhar meus desafios.” Zaid não podia contar à família sobre seus pensamentos sobre a fé.

A conversão de Zaid

“Eu lia sobre o cristianismo para aprender como vencer debates contra os cristãos. No entanto, quando eu percebia que não conseguia vencer, eu os amaldiçoava para ver a reação deles. O que me atraía neles era o amor. Eles demonstravam amor e nunca me amaldiçoavam de volta”, lembra o jovem.

“Lentamente, comecei a ouvir para entender, e não para debater. A ideia de que Deus nos ama, de que ele nos criou à sua imagem e de que enviou seu filho para morrer por nós eram pensamentos e verdades completamente novos para mim.”

Zaid queria muito aprender mais sobre Jesus e começou a ler a Bíblia em um aplicativo. “Por um ano e meio, percorri uma jornada de discipulado e cresci na fé em Jesus”, conta o jovem.

Um batismo arriscado

Enquanto era discipulado, Zaid decidiu que queria ser batizado. “Alaa, o cristão que me discipulava online, disse que organizaria tudo. Ele enviaria um irmão que morava perto de onde eu estava e ele poderia me batizar se eu estivesse certo sobre minha decisão. Claro que eu estava! Eu queria obedecer!”

O batismo de Zaid foi arriscado. Se ele ou o homem que o encontrou fossem pegos, poderiam ser presos ou até mortos. Mas Zaid sabia que seu compromisso com Jesus era maior do que qualquer perigo.

“Eu encontrei o homem em uma rua. Apertei sua mão, e caminhamos juntos até uma piscina pública. Era um dia movimentado e a piscina estava cheia de gente. Descemos as escadas até um canto da piscina. O homem me fez duas perguntas simples sobre minha fé, depois me batizou, mergulhando e tirando da água, e fomos embora imediatamente. Não o vi depois disso. Aquela foi a primeira vez que conheci um cristão pessoalmente no Iêmen.”

Depois daquele dia, Zaid continuou seu estudo das Escrituras, apoiando-se no Espírito Santo para guiá-lo e amadurecer sua fé. “Infelizmente, uma realidade comum entre os jovens no meu país é que, quando encontram Cristo, decidem deixar o Iêmen para viver sua fé livremente. Eu os entendo! No entanto, eu não quis e não quero isso. Quero ficar e servir ao meu povo.”


Com a ajuda de parceiros locais da Portas Abertas, Zaid está iniciando uma casa de discipulado local onde novos cristãos podem se reunir, viver juntos e ser discipulados dia após dia. Sua visão é oferecer um lugar seguro com estudos bíblicos diários para capacitar cristãos a liderar igrejas domésticas em todo o país.

“Honestamente, como uma pessoa comum, eu tenho medo, sim. Mas se não corrermos riscos, não conseguiremos alcançar nossas comunidades. Até os discípulos arriscaram muito; enfrentaram perseguição, foram mortos, espancados e vigiados, mas por causa de seus sacrifícios, a palavra de Deus chegou até nós. Um dia, a polícia pode me levar, ou alguém pode me matar, mas Deus estará comigo”, diz Zaid.

Sua doação permite que a Portas Abertas ajude muitos outros cristãos perseguidos como Zaid. Com sua ajuda, nós oferecemos ajuda emergencial àqueles que mais precisam. Contribua e seja resposta de oração!



A Redação Portas Abertas Brasil é a equipe editorial com mais de 40 anos de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco de segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Me senti injustiçado dentro da igreja... mas tudo não passava de uma desculpa

Dominado pelo orgulho e pela mágoa, o barbeiro Rogério da Silveira Dias, de 53 anos, se afastou de Deus e acabou entrando em um caminho que ele jamais imaginou percorrer. O que aconteceu depois vai te surpreender


Colaborador
Camila Dantas / Fotos: Cedidas


Há trocas que parecem vantajosas, mas, com o tempo, revelam-se os piores negócios da vida. É como trocar ouro por bijuteria. No início, tudo brilha, chama atenção e parece melhor. Mas, com o passar dos dias, a tinta descasca, o brilho se apaga e, então, surge a consciência de que algo precioso foi entregue por aquilo que não tem valor.

Assim, muitos têm feito com a própria vida espiritual: trocaram o Altar de Deus pelos “altares” deste mundo, movidos por mágoas, injustiças ou pela própria vontade, entregando-se a escolhas pessoais.

No começo, parecia liberdade, até uma sensação de justiça. Mas o tempo revelou a verdade e veio a perda da paz, da alegria e da comunhão com Deus.

O que parecia amor tornou-se vazio, a liberdade transformou-se em prisão da alma. O orgulho, a mágoa e o sentimento de injustiça afastaram muitos do único lugar onde poderiam encontrar cura e respostas. E, com o tempo, restaram a culpa e as vozes ecoando no interior: “você foi longe demais”, “não há mais solução”, “depois de tudo o que fez, Deus não vai te aceitar”.

Contudo, existe uma outra voz que insiste em chamar: “Volta”. Essa é a voz do Espírito Santo, que não deve ser ignorada. Afinal, e se não houver outra oportunidade de ouvi-Lo? Como alerta o Senhor Jesus em Lucas 12:20: “Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”.

Durante duas décadas, o barbeiro Rogério da Silveira Dias, de 53 anos, viveu como esse “louco” descrito por Jesus. Afastado da presença de Deus, ele enfrentou os piores momentos de sua vida. Confira!

O afastamento


Após quatro anos na Igreja Universal, fui levantado a auxiliar de pastor. Servia de todo o coração, movido por um único propósito: ganhar almas. Contudo, um ano e meio depois, enquanto estava em Goiás, enfrentei situações e mal-entendidos que me fizeram sentir injustiçado. Dominado por esse sentimento, decidi deixar a função. Voltei a ser obreiro, mas passei a me enxergar como vítima. Espiritualmente, eu já estava caído. Alimentei mágoas contra a direção da Igreja e contra um bispo, permitindo que o orgulho e o próprio senso de justiça ocupassem o lugar da fé.

Um sentimento destruidor


Um mês após ter retornado como obreiro, decidi sair da Igreja. Não foi aos poucos; mergulhei de cabeça no mundo. Na prática, porém, eu já havia me afastado da presença de Deus no momento em que permiti que a mágoa entrasse no meu coração. Esse sentimento foi corroendo meu interior e criando um vazio profundo na alma. Fiz várias tentativas de preenchê-lo, mas sempre incapazes de suprir o que realmente me faltava.

Ele se viu perdido


Assim, comecei a beber muita cerveja. Logo, passei para a cachaça e outros destilados. Em pouco tempo, experimentei a maconha e, quando já não surtia o efeito desejado, eu recorri à cocaína e, depois, ao crack. O fruto do meu trabalho passou a ser consumido pelos vícios. Deixei de ser um homem provedor dentro de casa. Já não me importava com minha esposa nem com minha filha; tornei-me indiferente e, muitas vezes, agressivo. Minha vida passou a girar unicamente em torno das drogas. Para sustentar o vício, cheguei ao ponto de roubar o cofre da minha própria filha e até a oferta que minha esposa havia separado no envelope.

Um lixo humano


Dominado pelo vício, eu saía de casa repetidas vezes e passava dias fora. O vazio profundo tomava conta do meu interior. Nada mais me importava, nem mesmo a minha própria vida. Sem rumo, eu apenas seguia para onde as drogas me levavam. Eu me enxergava como um lixo humano. Vivia pelas ruas, como os ratos, passando noites seguidas sem dormir. Cheguei a pesar 45 quilos e tive duas overdoses. Já não havia mais identidade em mim.

Ouvia, ensinava, mas não praticava


Naquele período da minha vida, ficou evidente que tudo o que eu havia aprendido da Palavra de Deus (como obreiro, pastor e membro) havia sido edificado sobre a areia. Eu não vivia aquilo que eu pregava. Fui dominado por sentimentos que me consumiram e decidi não perdoar; nem aos outros, nem a mim mesmo. Assim, tornei-me espiritualmente cego e completamente perdido.

A cracolândia passou a ser sua casa


Eu tinha consciência do sofrimento que causava à minha família. Depois do trabalho, ia para a cracolândia. Quando voltava, estava sempre sujo, com mau cheiro e completamente debilitado. Passava dias sem me alimentar e sem tomar banho. Lembro-me de minha filha pedindo para que eu tomasse banho e escovasse os dentes. Mesmo assim, eu resistia. A situação chegou a um ponto em que minha esposa trancou as portas de casa. Mas, subi até o segundo andar, pulei a janela e fui direto para a cracolândia.

Mágoa de Deus

Eu carregava a culpa, mas o orgulho falava mais alto. Não aceitava ajuda nem queria voltar à Igreja. Quando minha esposa me convidava para uma reunião, ou ao passar em frente a uma igreja, tudo o que eu havia vivido vinha à mente, e a raiva de ter sido injustiçado latejava em mim. Alimentava a mágoa até de Deus, dizendo que Ele nunca havia me ajudado. Sem perspectiva, comecei a desejar a morte e a tirar fotos e gravar vídeos, como se estivesse registrando o meu fim.

A tentativa de resgate


Após muitos anos, em meados de 2017, minha esposa comentou que aquele mesmo bispo, por quem eu alimentava mágoa, iria visitar nossa casa. Durante a conversa, ele me perguntou o que havia acontecido e por que eu tinha me afastado. Olhei em seus olhos e respondi: “por sua culpa”. Ele se surpreendeu e, com humildade, pediu que eu o perdoasse. Em seguida, fez uma oração por mim, e naquele momento senti um grande alívio. Ainda assim, não aceitei o convite para voltar, mas algo havia sido plantado dentro de mim.

A decisão de voltar


Em novembro do mesmo ano, após mais de 20 anos longe da presença de Deus e já cansado de todo o sofrimento, compreendi que realmente precisava d’Ele. Também entendi que a culpa nunca foi de Deus, pelo contrário, Ele sempre tentou cuidar de mim, até mesmo antes de eu deixar de ser obreiro. Foi então que decidi voltar aos pés do Senhor Jesus.

Os 4 bloqueios de quem se afastou

Talvez você tenha se enchido de dúvidas e criado barreiras que o impedem de voltar para Deus. Esses bloqueios costumam se manifestar por meio de pensamentos como:

• “Estou afastado da igreja, mas não de Deus”: justificativa comum logo após deixar a frequência à igreja.
• “Se eu voltar, vão me olhar ou me julgar”: vergonha e medo da reação das pessoas.
• Dificuldade de dar o braço a torcer: orgulho que impede de admitir que nunca deveria ter se afastado.
• “Não tem mais jeito para mim”: sentimento de culpa por achar que decepcionou a Deus.

Contudo, nenhum desses pensamentos expressa a verdade. Todos são confrontados por uma única promessa bíblica: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10).

Saber não basta: é preciso obedecer


Muitos conhecem a Palavra de Deus e sabem o que precisa ser feito: perdoar, voltar, abandonar hábitos, reconhecer erros e recomeçar. O verdadeiro desafio, porém, começa quando chega o momento de colocar tudo isso em prática.

Isso porque obedecer a Deus exige renúncia. Confronta o orgulho, mexe com o ego, tira da zona de conforto e leva a pessoa a contrariar a própria vontade. É justamente nesse ponto que muitos travam.

Assim, o problema não está na falta de entendimento, mas na disposição de obedecer. A verdadeira mudança acontece quando a pessoa deixa de apenas saber o que é certo e decide viver de acordo com a vontade de Deus.

Arrependimento e entrega sincera


Naquele mesmo dia, me batizei nas águas, reconheci os meus erros e entendi que também fui injusto com Deus. Compreendi que, para recomeçar, é preciso liberar perdão e se perdoar. Fiz, então, uma oração sincera, de verdadeiro arrependimento.

Ainda naquele mês, participei de uma Vigília ministrada pelo bispo de quem eu havia guardado mágoa. Lá, me entreguei por completo, deixando para trás tudo o que fui e vivi. Busquei o Espírito Santo, recebi o Novo Nascimento e, por meio d’Ele, recuperei a pureza de coração e a fé que havia perdido.

Ele foi perdoado e perdoou


O bispo que foi até a minha casa, que me pediu perdão e me convidou a voltar para Jesus, ainda não havia presenciado a concretização do meu resgate. Em uma ocasião, ao visitar o templo da Universal que frequento, tive a oportunidade de falar com ele. Dessa vez, fui eu quem pediu perdão. Ele se alegrou muito ao me ver e me recebeu com um abraço.

Restaurado para viver e servir


Fui transformado. Não tenho mais necessidade de usar drogas; só de pensar nelas ou sentir o cheiro de bebida já me causa náuseas. Carrego a certeza da salvação e a paz na alma. Hoje consigo ser um bom marido e um bom pai. E tenho o privilégio de voltar a servir a Deus como obreiro, ao lado da minha esposa, Silvania, e da minha filha, Andy, no Solo Sagrado, no Rio de Janeiro (RJ).

O tempo de recomeçar é agora!

Para Rogério, ainda houve tempo de voltar. Mas, e para você? Talvez você tenha adiado essa decisão, alimentando pensamentos como: “depois eu me acerto com Deus”, ou “um dia eu volto”. Mas, e se esse “depois” nunca chegar?

Deus está lhe dando uma nova oportunidade. Afinal, a pior decisão não foi ter se afastado d’Ele, mas permanecer distante, mesmo ouvindo o Seu chamado.

Deus sabe de tudo o que você viveu. Ele não foi o causador das dores que enfrentou nem das injustiças que sofreu. Mas, deseja curá-lo e restaurar cada ferida.

Por isso, espera o seu retorno com alegria, como está escrito: “(…) Vivo Eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva” (Ezequiel 33:11). E também: “Eu, Eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de Mim, e dos teus pecados não Me lembro” (Isaías 43:25).

Não adie mais! No próximo domingo, dia 31 de maio, esteja em uma Universal e reconcilie-se com Ele.
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