terça-feira, 23 de junho de 2026

Até quando você vai sustentar uma vida de aparências?

Andrea Silva não conseguiu esconder por muito tempo o que havia por trás de seus sorrisos. Será que você também tem camuflado o que sente?


Você já exibiu momentos tentando transmitir alegria, mesmo estando destruído por dentro? Já mostrou uma versão de si mesmo que, na realidade, estava longe do que vivia quando ninguém estava olhando?

Hoje, muitas pessoas transformaram a própria dor em uma aparência cuidadosamente editada, numa tentativa de esconder o vazio, o sofrimento e as feridas que ninguém vê. Sorriem para as fotos, demonstram força, sucesso e felicidade, mas, longe dos olhares, travam guerras silenciosas dentro de si. Vivem representando um personagem, sustentando uma mentira para esconder aquilo que realmente sentem.

As redes sociais potencializaram essa realidade. Filtros, recortes e versões editadas fazem parecer que tudo está bem. É como admirar um produto perfeito na vitrine e descobrir, depois, que ele não era nada daquilo que aparentava ser.

Mas existe uma verdade impossível de ser maquiada: quem convive de perto conhece quem você realmente é e o que você precisa. E existe Alguém que vai ainda mais além: conhece até os pensamentos e sentimentos que você tenta esconder. É o único capaz de oferecer alegria verdadeira e permanente: o Senhor Jesus.

Durante anos, Andrea Silva, assistente de educação, de 40 anos, viveu por trás de sorrisos vazios; uma atuação constante para esconder as feridas invisíveis de uma vida muito diferente da aparência que retratava. Até que uma revelação surpreendente a confrontou. Confira.

Rejeitada antes de nascer


Quando minha mãe engravidou de mim, morava na casa de uma tia. Era sua segunda gestação, mas a notícia não foi bem recebida por parte da família. Mesmo pressionada a abortar, ela decidiu seguir com a gravidez.

Após meu nascimento, fomos morar com a minha avó paterna. Algum tempo depois, meus pais se separaram. Minha irmã ficou sob os cuidados da família do meu pai, que faleceu poucos anos mais tarde.

Pureza roubada


Cresci apenas com a companhia da minha mãe. Eu era uma criança comum até os 6 anos, quando um amigo muito próximo da família abusou sexualmente de mim. Depois, o abuso se repetiu outras vezes, inclusive por parte de outros homens do meu convívio.

Na mesma época, minha mãe iniciou um relacionamento conturbado e procurou auxílio espiritual. Foi então que comecei a sofrer ataques espirituais. Sempre ao cair da noite, ouvia vozes, sinos e frases perturbadoras, como se espíritos gritassem nos meus ouvidos. Certa vez, inclusive, incorporei um espírito.

Por dentro, uma amargura


Um tempo depois, tentei tirar a própria vida. Depois, deixei de apenas ouvir vozes e passei a conversar com espíritos. As conversas giravam em torno do ódio que eu sentia das pessoas que haviam abusado de mim e do meu pai.

Ainda criança, me tornei amarga. Foi nessa época que comecei a envenenar os animais da minha avó, durante as férias que passava lá, apenas para vê-los morrer.

Aparência enganosa


Com cerca de 15 anos, após uma discussão com a minha mãe, decidi sair de casa. Como eu já trabalhava, achei que conseguiria me sustentar. A aparência era de forte e independente.

Abandonei a escola, comecei a frequentar festas e, durante um período, me prostituí para ganhar mais dinheiro. Nessa época, engravidei e interrompi a gestação.

Uma vida de mentiras


Aparentemente, eu não tinha mais nada a perder. Mas, depois, sozinha, sentia o vazio, a vergonha e a dor.

Tudo o que eu carregava desde a infância se tornava ainda mais pesado, até que aquela vida passou a me causar nojo. Eu me sentia um lixo. Foi aí que decidi que não queria mais viver daquela forma. Vivi três anos entre festas e uma alegria que não era real.

Então, conheci um rapaz. No início, tínhamos apenas encontros casuais, mas engravidei e decidimos morar juntos. Na mesma época, fui demitida do trabalho, o que aumentou ainda mais a minha frustração.

Esse vazio não aceita substitutos

Quantas vezes você já tentou fugir do que sente, se ocupando com qualquer coisa para aliviar a dor? Há quem, dominado por feridas internas, acaba machucando outras pessoas apenas para tentar satisfazer um ego ferido.

Você tenta preencher esse vazio com distrações: compromissos, festas, bebidas… Mas nada resolve. Porque, no fundo, esse espaço nunca foi feito para coisas ou para pessoas.

Esse vazio tem um formato exato: o do Espírito de Deus. E somente Ele pode preencher você por completo, de verdade.

Sentimentos conflitantes


Minha filha nasceu e vivi uma mistura de amor e ódio. Eu a amava, mas não tinha paciência para lidar com o choro nem sabia atender às suas necessidades. Muitas vezes a tratei mal.

Por mais que quisesse, não conseguia mudar. Eu brigava constantemente com o pai dela por ciúme e motivos insignificantes. Certa vez, peguei uma faca para matá-lo enquanto dormia, mas ele passou a noite acordado e não levei a ideia adiante.

Por fora, uma. Por dentro, outra


Quando minha filha tinha 5 anos, comecei a trabalhar com o avô dela e nos envolvemos. Foi como uma bomba na família, mas continuamos juntos, porque eu só pensava em mim.

Apesar da postura firme que exibia, eu estava emocionalmente destruída. Então, depois que nos mudamos para outra cidade, comecei a frequentar uma igreja. Entendi o significado do batismo nas águas e decidi me casar para iniciar uma vida com Deus. Em menos de 30 dias, já estava casada com o avô da minha filha. Porém, os dirigentes daquela igreja não aprovaram meu batismo por eu estar vivendo uma união com um parente.

Tentando camuflar a dor


Ao chegar em casa, falei com Deus: “Se nem o Senhor me quer, vou acabar com a minha vida, e levar muitas pessoas comigo”. Mandei meu então marido embora. Pouco depois, também mandei minha filha morar com o pai. Eu queria viver apenas o que me trouxesse prazer. Passei a sair todos os dias, bebia muito e comecei a usar maconha, lança-perfume e narguilé com outras drogas. Fazia festas em casa; muitos jovens iam, e os vizinhos reclamavam da bagunça. Eu me envolvia em relacionamentos, mas, por dentro, estava desmoronando.

Fundo do poço


Depois das festas, eu e alguns conhecidos íamos para lugares onde aconteciam até homicídios. Em uma noite, eu estava alterada pelas drogas quando a polícia chegou. Fiquei horas aguardando para ser revistada e, enquanto esperava, vi minha sobrinha, de apenas 13 anos, vivendo aquela situação, porque eu a levava comigo. Aquilo me abalou. Naquele dia, eu havia participado de uma orgia. No banho, por mais que esfregasse o corpo, sentia que a sujeira não saía. Então falei com Deus que, se Ele me enviasse alguém para eu me relacionar, eu seria fiel à essa pessoa. Alguns dias depois, comecei a namorar. Cumpri o que prometi, mas não estava feliz. Por dentro, o vazio continuava.

Versão editada


Eu não me alimentava direito e desenvolvi anorexia. Vivia deprimida. Diante das pessoas, fingia estar bem, mas, quando estava sozinha, chorava e desejava morrer. Postava fotos produzidas para dar a impressão de que estava indo para festas, quando, na verdade, me trancava no quarto para chorar. Nem dormir eu conseguia, pois não tinha paz. Até algumas roupas que usava eram emprestadas. Eu não era nem vivia aquilo que mostrava nas redes sociais. Certo dia, enquanto atravessava uma passarela a caminho do trabalho, ouvi uma voz mandando que eu me jogasse. Quando estava prestes a ceder, ouvi outra voz, suave, dizendo que Deus poderia mudar a minha vida. Então, segui em frente.

O despertar em meio ao caos


Na Bíblia, lemos que Deus usou o profeta Joel para alertar Israel sobre uma grande devastação; um reflexo de que o povo estava distante d’Ele e precisava se arrepender (Joel 1–2). E esse chamado continua ecoando ainda hoje: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração…” (Joel 2:12).

Andrea ouviu esse chamado por meio de uma mensagem e passou a enxergar quem realmente era. O Espírito da Verdade a despertou. Assim como aquele povo teve a oportunidade de recomeçar, você também tem. Basta se arrepender, abrir mão da própria vontade e priorizar a de Deus.

Nova vida


Em seguida, participei do Jejum de Daniel. Entendi que precisava deixar as redes sociais com o desejo sincero de conhecer a Deus. Logo veio a Fogueira Santa. Mesmo precisando de muitas coisas, decidi priorizar o Espírito Santo.

Depois de cumprir meu voto no Altar, durante uma oração no trabalho, O recebi. Então ouvi uma mensagem dizendo que o batismo com o Espírito Santo não é sentimento, mas certeza. Então, eu cri.

Hoje posso dizer que, quem me conhecia não me reconhece. Fui curada, me reergui financeiramente, aprendi a cuidar da minha filha e agora vivemos juntas. Além da verdadeira alegria que encontrei, tenho prazer em ajudar quem, assim como eu um dia, acredita não haver saída para os seus problemas.

A Verdade que liberta


Naquele domingo, recebi uma paz profunda. O meu desejo de mudar era tão grande que eu passei a frequentar a igreja todos os dias, de manhã, à tarde e à noite. Eu me sentia acolhida. Tenho um 1,80m de altura e usava as roupas da minha filha de 9 anos, mas, ainda assim, não fui julgada. Me batizei nas águas, abandonei tudo o que fazia de errado e passei a buscar o Espírito Santo.

Oportunidade de recomeçar


Naquele momento, a ficha caiu. Eu estava cheia de dívidas e ostentava uma vida que não correspondia à realidade. Tinha uma filha, mas não assumia meu papel como mãe. Percebi que tudo em mim era uma mentira, até a minha aparência.

Dois dias depois, passei novamente no local. Uma evangelista falou comigo e me chamou para ir à igreja no domingo. Na noite anterior ao culto, enfrentei uma verdadeira batalha: vozes diziam que eu não deveria ir e ameaçavam a mim e à minha filha de morte. Mesmo assim, decidi ir e disse a Deus que, se Ele não mudasse a minha vida, eu mesma daria fim a ela.

A verdade veio à tona


Alguns dias depois, no trabalho, um pensamento repentino tomou conta de mim: eu não queria estar ali. Peguei minhas coisas e fui embora. No caminho, atravessei a mesma passarela e vi algumas pessoas da Igreja Universal evangelizando. Ao passar por elas, recebi a Folha Universal.

Dentro do ônibus, pensei em jogar o jornal fora, mas resolvi abri-lo. Logo vi a mensagem do Bispo Macedo com o versículo: “Mas, quando vier aquele, o Espírito da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade…” (João 16:13). Foi como se Deus estivesse me mostrando a vida de mentiras que eu levava. Durante o trajeto, fiquei debatendo com aquelas palavras, sentindo-me confrontada pela minha real condição.
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Colaborador
Thayná Andrade / Arte sobre foto: Cedida, arquivo pessoal e getty images

Como o TikTok se tornou "a rede social dos depressivos"

FOLHA UNIVERSAL 21/06/2026


O TikTok tem sido considerado por alguns como “a rede social dos depressivos”. Isso porque a plataforma foi tomada por postagens sobre questões de saúde mental, desde relatos pessoais até dicas de profissionais de saúde.

Estudos recentes mostram uma associação consistente entre uso intenso de redes sociais e o aumento de sintomas como ansiedade, tristeza persistente e distúrbios do sono, especialmente entre jovens.

Estudos em neuroimagem e comportamento digital, incluindo pesquisas publicadas em revistas como NeuroImage e trabalhos apresentados em conferências como a International AAAI Conference on Web and Social Media, sugerem que vídeos curtos e algoritmos personalizados podem ativar sistemas de recompensa do cérebro associados à dopamina, favorecendo padrões de uso repetitivo e criando ciclos de reforço semelhantes aos observados em jogos digitais.

Embora não seja possível afirmar que existe uma relação de causa direta, há evidências de que plataformas como essa se tornaram um ambiente que pode intensificar estados emocionais já existentes.

Parte dessa dinâmica está no funcionamento desses algoritmos personalizados. A plataforma aprende rapidamente o que prende a atenção do usuário e passa a oferecer mais do mesmo. Isso inclui conteúdos emocionais, relatos pessoais e vídeos sobre sofrimento psicológico.

Relatórios de organizações como a Amnesty International apontam que usuários mais vulneráveis podem ser expostos de forma recorrente a conteúdos relacionados à depressão e até à automutilação, criando um ciclo de reforço difícil de interromper.

Cuidado com a desinformação

Outro ponto crítico está na qualidade da informação. Levantamentos divulgados por veículos como o jornal britânico The Guardian indicam que uma parcela significativa dos conteúdos sobre saúde mental nas redes sociais contém imprecisões ou simplificações excessivas.

Isso contribui para a banalização de termos clínicos, incentiva o autodiagnóstico e pode levar a interpretações equivocadas sobre condições que exigem avaliação profissional.

Isso não significa que a plataforma, por si só, seja necessariamente prejudicial. Há evidências de que redes sociais também podem oferecer suporte, informação e senso de pertencimento. Porém, o ponto de atenção está no padrão de uso. Quando o consumo é passivo, excessivo e guiado apenas pelo algoritmo, os riscos aumentam.

É preciso lembrar sempre que, em um ambiente desenhado para maximizar tempo de permanência, a responsabilidade final continua sendo do usuário. É ele quem deve escolher o que consumir, quando parar e, principalmente, reconhecer quando o conteúdo deixa de informar e passa a influenciar negativamente o próprio estado emocional.

Se essa é uma tarefa difícil para adultos, é ainda mais desafiadora para crianças e jovens. A observação do comportamento de menores de idade e o acompanhamento dos pais e responsáveis no uso das redes sociais são fundamentais.

Questões de saúde mental não devem ser encaradas como estados passageiros ou problemas pontuais de uma geração específica. A busca por alívio e empatia nas redes sociais pode ser um grito silencioso de pessoas em sofrimento real, um chamado urgente de quem tenta lidar com as próprias emoções e precisa ser ouvido com atenção e responsabilidade.

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 Colaborador
 Patricia Lages / Foto: D-Keine/getty images

Cristã perde familiares em ataque a igreja na Síria

Quando o pai de Jenny foi atingido por um ataque a bomba em junho de 2025, a jovem se apegou à fé e à esperança em Cristo


Jenny se emociona ao lembrar do exemplo de fé de seu pai

Jenny (pseudônimo), uma cristã que vive em Damasco, na Síria, recebeu a visita de uma amiga em sua casa. Por isso, ela não foi à igreja naquele domingo, 22 de junho de 2025. Então, por volta das 18h30, as jovens ouviram o som de tiros seguido de uma explosão.

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Logo veio uma ligação: “A pessoa nos disse que um homem-bomba detonou a si mesmo dentro da igreja que minha família frequentava, e que todos lá dentro morreram”. Jenny sabia que seu pai estava na igreja, e ela também estaria se não fosse pela visita de sua amiga.

A cristã ficou abalada com a notícia. “A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi que eu precisava encontrar meu pai de qualquer maneira possível. Comecei a ligar para meu pai em seus dois números. Um telefone estava desligado, o outro continuava chamando. Então, depois de tentar três vezes, alguém atendeu. O homem do outro lado disse que encontrou o telefone no chão e não sabia se o dono estava vivo ou morto”, conta Jenny.

Junto de sua irmã, Jenny foi até a igreja, mas ambas foram barradas pelas forças de segurança, que temiam mais explosões. Um dos parentes das jovens disse que viu seu pai saindo da igreja. “Eu senti que meu parente estava escondendo algo. Ele não olhava diretamente nos meus olhos. Disse que meu pai ainda estava vivo e que a ambulância o levou.”

A notícia que mudou tudo

Jenny e sua irmã descobriram que seu pai foi levado para o hospital em um táxi, não em uma ambulância. Elas também souberam que ele havia sido gravemente ferido na explosão e precisava de atendimento médico urgente. Chegando ao hospital, uma enfermeira disse para as irmãs que seu pai estava em condição estável, mas que seu abdômen estava aberto e que a cirurgia poderia levar horas.

Enquanto isso, um amigo da família e uma das tias de Jenny, que também estavam no culto, foram declarados mortos no mesmo hospital. Infelizmente, depois de pouco tempo, Jenny recebeu a notícia de que seu pai havia falecido.

Após o ataque, Jenny se apoiou em sua fé. “Nos primeiros dias, eu estava em choque. Depois de voltar do hospital e no dia seguinte, eu não conseguia falar ou chorar. Eu amo o tipo de relacionamento que tenho com Deus. Eu estava confiante de que as pessoas mortas foram salvas por Cristo, incluindo meu pai. Eu acredito que ele está com Jesus, com certeza.”

“Por quê?”

Jenny ainda não sabe por que o agressor atacou naquela noite. “Algumas pessoas podem dizer que o agrediriam ou até o matariam se o encontrassem. Eu não faria isso. Eu apenas perguntaria a ele: ‘Por quê? Eu sou apenas uma pessoa orando na igreja. Eu não estou lutando contra você nem lhe fazendo mal.’”

Jenny é uma das cristãs sírias que participaram de sessões de aconselhamento pós-trauma ministradas por um parceiro da Portas Abertas. Ela usou seu treinamento para lidar não apenas com o próprio luto, mas também com o de outros. Recentemente, a cristã se voluntariou para atuar como conselheira no projeto. Os conselheiros apoiam crianças e mulheres afetadas pelo bombardeio e pela violência na região.

“É importante para mim ajudar as pessoas que passaram pela mesma experiência que eu. É meu dever estar ao lado delas e apoiá-las, assim como eu recebi apoio em algum momento do caminho”, conta Jenny

O Domingo da Igreja Perseguida (DIP) é o maior movimento brasileiro de oração pelos cristãos perseguidos. Neste ano, no dia 31 de maio, milhares de igrejas brasileiras se unirão em um clamor por nossos irmãos e irmãs no Oriente Médio e Norte da África. Inscreva sua igreja gratuitamente e baixe os materiais de organização.


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