Dominado pelo orgulho e pela mágoa, o barbeiro Rogério da Silveira Dias, de 53 anos, se afastou de Deus e acabou entrando em um caminho que ele jamais imaginou percorrer. O que aconteceu depois vai te surpreender

Colaborador
Camila Dantas / Fotos: Cedidas

Há trocas que parecem vantajosas, mas, com o tempo, revelam-se os piores negócios da vida. É como trocar ouro por bijuteria. No início, tudo brilha, chama atenção e parece melhor. Mas, com o passar dos dias, a tinta descasca, o brilho se apaga e, então, surge a consciência de que algo precioso foi entregue por aquilo que não tem valor.
Assim, muitos têm feito com a própria vida espiritual: trocaram o Altar de Deus pelos “altares” deste mundo, movidos por mágoas, injustiças ou pela própria vontade, entregando-se a escolhas pessoais.
No começo, parecia liberdade, até uma sensação de justiça. Mas o tempo revelou a verdade e veio a perda da paz, da alegria e da comunhão com Deus.
O que parecia amor tornou-se vazio, a liberdade transformou-se em prisão da alma. O orgulho, a mágoa e o sentimento de injustiça afastaram muitos do único lugar onde poderiam encontrar cura e respostas. E, com o tempo, restaram a culpa e as vozes ecoando no interior: “você foi longe demais”, “não há mais solução”, “depois de tudo o que fez, Deus não vai te aceitar”.
Contudo, existe uma outra voz que insiste em chamar: “Volta”. Essa é a voz do Espírito Santo, que não deve ser ignorada. Afinal, e se não houver outra oportunidade de ouvi-Lo? Como alerta o Senhor Jesus em Lucas 12:20: “Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”.
Durante duas décadas, o barbeiro Rogério da Silveira Dias, de 53 anos, viveu como esse “louco” descrito por Jesus. Afastado da presença de Deus, ele enfrentou os piores momentos de sua vida. Confira!
O afastamento

Após quatro anos na Igreja Universal, fui levantado a auxiliar de pastor. Servia de todo o coração, movido por um único propósito: ganhar almas. Contudo, um ano e meio depois, enquanto estava em Goiás, enfrentei situações e mal-entendidos que me fizeram sentir injustiçado. Dominado por esse sentimento, decidi deixar a função. Voltei a ser obreiro, mas passei a me enxergar como vítima. Espiritualmente, eu já estava caído. Alimentei mágoas contra a direção da Igreja e contra um bispo, permitindo que o orgulho e o próprio senso de justiça ocupassem o lugar da fé.
Um sentimento destruidor

Um mês após ter retornado como obreiro, decidi sair da Igreja. Não foi aos poucos; mergulhei de cabeça no mundo. Na prática, porém, eu já havia me afastado da presença de Deus no momento em que permiti que a mágoa entrasse no meu coração. Esse sentimento foi corroendo meu interior e criando um vazio profundo na alma. Fiz várias tentativas de preenchê-lo, mas sempre incapazes de suprir o que realmente me faltava.
Ele se viu perdido

Assim, comecei a beber muita cerveja. Logo, passei para a cachaça e outros destilados. Em pouco tempo, experimentei a maconha e, quando já não surtia o efeito desejado, eu recorri à cocaína e, depois, ao crack. O fruto do meu trabalho passou a ser consumido pelos vícios. Deixei de ser um homem provedor dentro de casa. Já não me importava com minha esposa nem com minha filha; tornei-me indiferente e, muitas vezes, agressivo. Minha vida passou a girar unicamente em torno das drogas. Para sustentar o vício, cheguei ao ponto de roubar o cofre da minha própria filha e até a oferta que minha esposa havia separado no envelope.
Um lixo humano

Dominado pelo vício, eu saía de casa repetidas vezes e passava dias fora. O vazio profundo tomava conta do meu interior. Nada mais me importava, nem mesmo a minha própria vida. Sem rumo, eu apenas seguia para onde as drogas me levavam. Eu me enxergava como um lixo humano. Vivia pelas ruas, como os ratos, passando noites seguidas sem dormir. Cheguei a pesar 45 quilos e tive duas overdoses. Já não havia mais identidade em mim.
Ouvia, ensinava, mas não praticava

Naquele período da minha vida, ficou evidente que tudo o que eu havia aprendido da Palavra de Deus (como obreiro, pastor e membro) havia sido edificado sobre a areia. Eu não vivia aquilo que eu pregava. Fui dominado por sentimentos que me consumiram e decidi não perdoar; nem aos outros, nem a mim mesmo. Assim, tornei-me espiritualmente cego e completamente perdido.
A cracolândia passou a ser sua casa

Eu tinha consciência do sofrimento que causava à minha família. Depois do trabalho, ia para a cracolândia. Quando voltava, estava sempre sujo, com mau cheiro e completamente debilitado. Passava dias sem me alimentar e sem tomar banho. Lembro-me de minha filha pedindo para que eu tomasse banho e escovasse os dentes. Mesmo assim, eu resistia. A situação chegou a um ponto em que minha esposa trancou as portas de casa. Mas, subi até o segundo andar, pulei a janela e fui direto para a cracolândia.
Mágoa de Deus
Eu carregava a culpa, mas o orgulho falava mais alto. Não aceitava ajuda nem queria voltar à Igreja. Quando minha esposa me convidava para uma reunião, ou ao passar em frente a uma igreja, tudo o que eu havia vivido vinha à mente, e a raiva de ter sido injustiçado latejava em mim. Alimentava a mágoa até de Deus, dizendo que Ele nunca havia me ajudado. Sem perspectiva, comecei a desejar a morte e a tirar fotos e gravar vídeos, como se estivesse registrando o meu fim.
A tentativa de resgate

Após muitos anos, em meados de 2017, minha esposa comentou que aquele mesmo bispo, por quem eu alimentava mágoa, iria visitar nossa casa. Durante a conversa, ele me perguntou o que havia acontecido e por que eu tinha me afastado. Olhei em seus olhos e respondi: “por sua culpa”. Ele se surpreendeu e, com humildade, pediu que eu o perdoasse. Em seguida, fez uma oração por mim, e naquele momento senti um grande alívio. Ainda assim, não aceitei o convite para voltar, mas algo havia sido plantado dentro de mim.
A decisão de voltar

Em novembro do mesmo ano, após mais de 20 anos longe da presença de Deus e já cansado de todo o sofrimento, compreendi que realmente precisava d’Ele. Também entendi que a culpa nunca foi de Deus, pelo contrário, Ele sempre tentou cuidar de mim, até mesmo antes de eu deixar de ser obreiro. Foi então que decidi voltar aos pés do Senhor Jesus.
Os 4 bloqueios de quem se afastou
Talvez você tenha se enchido de dúvidas e criado barreiras que o impedem de voltar para Deus. Esses bloqueios costumam se manifestar por meio de pensamentos como:
• “Estou afastado da igreja, mas não de Deus”: justificativa comum logo após deixar a frequência à igreja.
• “Se eu voltar, vão me olhar ou me julgar”: vergonha e medo da reação das pessoas.
• Dificuldade de dar o braço a torcer: orgulho que impede de admitir que nunca deveria ter se afastado.
• “Não tem mais jeito para mim”: sentimento de culpa por achar que decepcionou a Deus.
Contudo, nenhum desses pensamentos expressa a verdade. Todos são confrontados por uma única promessa bíblica: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10).
Saber não basta: é preciso obedecer

Muitos conhecem a Palavra de Deus e sabem o que precisa ser feito: perdoar, voltar, abandonar hábitos, reconhecer erros e recomeçar. O verdadeiro desafio, porém, começa quando chega o momento de colocar tudo isso em prática.
Isso porque obedecer a Deus exige renúncia. Confronta o orgulho, mexe com o ego, tira da zona de conforto e leva a pessoa a contrariar a própria vontade. É justamente nesse ponto que muitos travam.
Assim, o problema não está na falta de entendimento, mas na disposição de obedecer. A verdadeira mudança acontece quando a pessoa deixa de apenas saber o que é certo e decide viver de acordo com a vontade de Deus.
Arrependimento e entrega sincera

Naquele mesmo dia, me batizei nas águas, reconheci os meus erros e entendi que também fui injusto com Deus. Compreendi que, para recomeçar, é preciso liberar perdão e se perdoar. Fiz, então, uma oração sincera, de verdadeiro arrependimento.
Ainda naquele mês, participei de uma Vigília ministrada pelo bispo de quem eu havia guardado mágoa. Lá, me entreguei por completo, deixando para trás tudo o que fui e vivi. Busquei o Espírito Santo, recebi o Novo Nascimento e, por meio d’Ele, recuperei a pureza de coração e a fé que havia perdido.
Ele foi perdoado e perdoou

O bispo que foi até a minha casa, que me pediu perdão e me convidou a voltar para Jesus, ainda não havia presenciado a concretização do meu resgate. Em uma ocasião, ao visitar o templo da Universal que frequento, tive a oportunidade de falar com ele. Dessa vez, fui eu quem pediu perdão. Ele se alegrou muito ao me ver e me recebeu com um abraço.
Restaurado para viver e servir

Fui transformado. Não tenho mais necessidade de usar drogas; só de pensar nelas ou sentir o cheiro de bebida já me causa náuseas. Carrego a certeza da salvação e a paz na alma. Hoje consigo ser um bom marido e um bom pai. E tenho o privilégio de voltar a servir a Deus como obreiro, ao lado da minha esposa, Silvania, e da minha filha, Andy, no Solo Sagrado, no Rio de Janeiro (RJ).
O tempo de recomeçar é agora!
Para Rogério, ainda houve tempo de voltar. Mas, e para você? Talvez você tenha adiado essa decisão, alimentando pensamentos como: “depois eu me acerto com Deus”, ou “um dia eu volto”. Mas, e se esse “depois” nunca chegar?
Deus está lhe dando uma nova oportunidade. Afinal, a pior decisão não foi ter se afastado d’Ele, mas permanecer distante, mesmo ouvindo o Seu chamado.
Deus sabe de tudo o que você viveu. Ele não foi o causador das dores que enfrentou nem das injustiças que sofreu. Mas, deseja curá-lo e restaurar cada ferida.
Por isso, espera o seu retorno com alegria, como está escrito: “(…) Vivo Eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva” (Ezequiel 33:11). E também: “Eu, Eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de Mim, e dos teus pecados não Me lembro” (Isaías 43:25).
Não adie mais! No próximo domingo, dia 31 de maio, esteja em uma Universal e reconcilie-se com Ele.
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